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Autogestão e práticas de organização do trabalho

O que é autogestão?

Se você fizer uma busca no Google pelo significado de “autogestão”, verá que os primeiros significados estão relacionados à autonomia do empregado em uma empresa, sugerindo que será um melhor empregado se for capaz de trabalhar e tomar decisões no âmbito de seu círculo de trabalho.

Podemos dizer que sim, é autogestão um empregado ser mais responsável sobre suas atividades e deter um relativo poder de decisão. Mas isso seria mesmo autogestão em sentido estrito?

Discordamos do uso do conceito para as práticas empresariais, pois promovem a ilusão de que haja alguma divisão de poder, concedida pela autonomia restrita. Não há divisão de poder quando há patrão… As atuais práticas de autogestão estão subordinadas aos interesses das empresas e aos seus objetivos, os quais, nem sempre, promovem a divisão igualitária de carga de trabalho/recebimento. Os objetivos de uma coletividade sempre existem, mesmo em práticas de autogestão nas empresas e o que faz uma grande diferença é a democracia direta e a ausência de patrão.

Imagine a seguinte situação: você é músico de alguma quebrada e vive dos rendimentos de seus shows e apresentações. Aí, vem uma pandemia… Você não tem mais os lugares disponíveis e precisa continuar a sua vida de alguma forma… Se o Estado não lhe fornecer o básico, do que você sobreviveria? São as práticas de autogestão que podem promover maior independência e formação de grupos solidários, permitindo atividades culturais, por exemplo, mesmo em um cenário de pandemia, isolamento social e escassez de recursos.

A democracia direta é a tomada de decisão no coletivo, com amplo domínio das informações e igualdade de voz. A título de exemplo, em Rojava, as decisões são discutidas em assembleias e o direito e ordem de fala são definidos pelo gênero e dominância religiosa, assim, as mulheres e os representantes das religiões em menor número são os primeiros a falar. O que determina a ordem de fala é a falta de representatividade, tornando o ambiente menos hostil e mais solidário.

A ausência de patrão mantém relação com a posse dos meios de produção e dos conhecimentos, seja dos equipamentos ou dos direitos sobre marca ou serviços. Em um ambiente coletivo ‘sem patrão’ busca-se a diluição da autoria pelas práticas coletivas e colaborativas de construção do conhecimento e de uso dos meios de produção.

Autogestão e atividades culturais

As atividades culturais e suas formas de organização podem ser pensadas a partir de outro prisma, mais descolado do Estado e centrado na produção colaborativa.

Um outro exemplo, este muito comum em quebradas. Um músico aprendeu a cantar em casa, com seus familiares, acompanhando pelo rádio ou TV… Ele vai crescendo e sua comunidade gosta da participação dela nos eventos do bairro. E ele quer continuar e quer mais. Quem sabe viver de sua voz? E se junta a uns outros amigos, também músicos, para gravar um EP. Dificuldades financeiras, mas o som vai saindo, até que conseguem gravar algumas cópias para venda. Gravaram, mixaram, imprimiram as capas, divulgaram em redes sociais e nos eventos da comunidade. Venderam todos os CD’s. Isso é um exemplo de percurso completo da produção à entrega do produto final e pode ser transformado em experiência de conhecimento para outros músicos.

Para transformar em conhecimento uma experiência é preciso produzir conteúdo e divulgar para o público certo. Práticas autogestionárias podem promover essa solidariedade e construção do conhecimento partilhado, reunindo artistas em um modelo de negócio mais colaborativo e independente.

Quer ler mais sobre autogestão? O site Anarquista.net traz um post bacana sobre o assunto.

A Expedição CoMMúsica é baseada no conhecimento das práticas de autogestão dos músicos das quebradas de São Paulo e você pode conferir um pouco mais também.

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